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11/10/2012

Thot: Simbologia na Arquivologia

Thot

Quem curte mitologia vai gostar de saber que os arquivistas possuem um deus símbolo da sua profissão. Thot, Toth, Tôt (e outras variações) é o nome em grego de Djehuty, deus egípcio que simboliza a sabedoria.

Autoridade sobre o conhecimento e o discurso divino, Thot é uma divindade lunar considerada o escrivão dos deuses e o patrono dos escribas. Tem a seu cargo a sabedoria, a escrita, a aprendizagem, a magia, a medição do tempo, as artes, entre outros.

Thot ao ser associado a lua, assim que o sol desaparecia, tentava vencer a escuridão com a sua luz. Essa ideia tem um sentido duplo ao associar conhecimento e iluminação.

Íbis

Descrito geralmente na forma humana como um escriba com a cabeça de íbis (ave símbolo da sabedoria), usa uma coroa de lua crescente coberta por um disco lunar. A divindade tinha importância notória no antigo Egito, uma vez que o ciclo lunar era (e ainda é) determinante em vários aspectos da atividade civil e religiosa da sociedade.

Thot é por vezes identificado com o deus grego Hermes Trismegisto. Sua filiação é atribuída ora a Rá (deus sol), ora a Seth (deus do caos e da violência). Thot é tido por ter desempenhado várias funções no mundo dos deuses, tais como conselheiro de Rá, arquivista dos deuses e ainda escrivão e guardião do Livro dos Mortos. Relacionado também às artes mágicas, as cartas de Tarot são muitas vezes referidas como o “Livro de Toth”.

Editado de  http://pt.wikipedia.org/wiki/Tot e http://www.jfaudio.net/toth_pt.htm

28/06/2012

Balada das Arquivistas

Oh jovens anjos cativos
Que as asas vos machucais
Nos armários dos arquivos!
Delicadas funcionárias
Designadas por padrões
Prisioneiras honorárias
Da mais fria das prisões
É triste ver-vos, suaves
Entre monstros impassíveis
Trancadas a sete chaves:
Oh, puras e imarcescíveis!
Dizer que vós, bem-amadas
Conservai-vos impolutas
Mesmo fazendo a juntada
De processos e minutas!
Não se amargam vossas bocas
De índices e prefixos
Nem lembram os olhos das loucas
Vossos doces olhos fixos.
Curvai-vos para colossos
Hollerith, de aço hostil
Como se fora ante moços
Numa pavana gentil.
Antes não classificásseis
Os maços pelos assuntos
Criando a luta de classes
Num mundo de anseios juntos!
Enfermeiras de ambições
Conheceis, mudas, a nu
O lixo das promoções
E das exonerações
A bem do serviço público.
Ó Florences Nightingale
De arquivos horizontais:
Com que zelo alimentais
Esses eunucos letais
Que se abrem com chave yale!
Vossa linda juventude
Clama de vós, bem-amadas!
No entanto, viveis cercadas
De coisas padronizadas
Sem sexo e sem saúde…
Ah, ver-vos em primavera
Sobre papéis de ocasião
Na melancólica espera
De uma eterna certidão!
Ah, saber que em vós existe
O amor, a ternura, a prece
E saber que isso fenece
Num arquivo feio e triste!
Deixai-me carpir, crianças
A vossa imensa desdita
Prendestes as esperanças
Numa gaiola maldita.
Do fundo do meu silêncio
Eu vos incito a lutardes
Contra o Prefixo que vence
Os anjos acorrentados
E ir passear pelas tardes
De braço com os namorados.

Vinicius de Moraes