Cresce a demanda por cursos de arquivologia

Carreira oferece variedade e quantidade de empregos e boa remuneração

Profissão em alta, com muitas ofertas de estágios, empregos públicos e privados e garantia de bons salários. É o que confirmam professores e alunos dos cursos de arquivologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e Universidade Federal Fluminense (UFF), as únicas a oferecer o curso no Estado do Rio.

A disputa pelas vagas é acirrada, apesar de serem oferecidas até 40 oportunidades em cada universidade por semestre. Na UFF, por exemplo, onde já se formaram 800 alunos desde 1978, ano de criação do curso, a relação candidato por vaga é de 5,73. Na Unirio, a entrada de alunos acontece pelo Enem e o total de reingressos chega a ser de dez estudantes por ano.

A duração do curso de graduação é de oito a 12 semestres letivos com carga horária total de 2.400 horas, sendo 840 das disciplinas da grade curricular e outras 840 das disciplinas optativas, 360 horas de estágio obrigatório, 180 do trabalho de conclusão do curso (TCC) e outras 180 referentes às atividades complementares.

O arquivista precisa ser um profissional polivalente, com conhecimento, ao mesmo tempo, amplo e específico, para dar conta do tratamento das informações contidas nos registros documentais produzidos pelas inúmeras atividades da sociedade.

É ele quem coordena e controla a produção, o fluxo e a difusão da informação em qualquer tempo e lugar em que estas sejam produzidas na sociedade contemporânea.

O mercado de trabalho também é amplo para arquivistas. O profissional graduado pode trabalhar dentro das próprias universidades, no Senado, na Câmara, tribunais, assembleias, instituições arquivísticas, centros de documentação e informação, centros de pesquisas, cinematecas, museus, bancos de dados e serviços de consultoria, além de diversos órgãos públicos e privados.

A remuneração varia entre R$ 1,6 mil a R$ 15 mil, no caso de arquivistas do Senado. Nos estágios, os estudantes recebem, em média, R$ 1,2 mil por apenas 6 horas de trabalho e, devido à grande demanda de profissionais na área, muitas vezes é contratado ao final da graduação.

A exemplo de que o curso está crescendo, a Universidade Federal do Pará (UFPA) abre em 2012 a primeira turma de arquivologistas.

É possível encontrar a graduação em três universidades  no Rio Grande do Sul, uma nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Amazônia, Brasília, duas na Paraíba e duas no Rio de Janeiro.

Até o ano de 1991, a graduação só era oferecida em três faculdades. Atualmente o curso já está presente em 16 universidades em todo o País, a maior parte delas instituições públicas federais.

Possibilidade de especialização em diferentes áreas

A professora e coordenadora do programa de pós-graduação em Ciência da Informação e de Arquivologia da UFF, Ana Célia Rodrigues, acredita que a profissão, apesar de ainda não ser regulamentada, apresentou um crescimento bastante significativo. Ela explica que há 10 anos só havia oito cursos em todo o País e atualmente esse número dobrou.

Ela atribui esse aumento ao programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) e a valorização da profissão no meio empresarial.

A profissão, que está interligada às disciplinas de museologia e biblioteconomia, já passou por algumas mudanças na grade curricular estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC). Uma delas foi a inclusão das disciplinas voltadas para informática, devido ao aparecimento das novas tecnologias e mídias sociais – que são de grande interesse para os alunos.

“O aprofundamento nas disciplinas de gestão de documentos e gestão de eletrônicos documentais virou exigência das empresas privadas”, destaca Ana Célia.

A estudante do sétimo período de arquivologia da Unirio, Larisse Almeida de Oliveira, de 23 anos, se especializou na área e ressalta que a profissão é gratificante.

“Me sinto realizada. Pretendo seguir na área acadêmica fazendo mestrado para dar aulas de documentações audiovisuais, me aprofundar em idiomas e prestar concursos, já que os salários são promissores”, disse a estudante.

Já a diretora da Escola de Arquivologia da Unirio, Anna Carla Almeida Mariz, especialista em memória social e documental e doutora em Ciência da Informação, destaca  que as disciplinas de conservação e preservação, classificação e avaliação documental são fundamentais no currículo de um bom arquivista.

No entanto, ela esclarece que é o próprio aluno quem irá direcionar as disciplinas de maior importância, de acordo com a área de interesse de trabalho.

“Depois da reforma curricular, o aluno está livre para cursar as disciplinas específicas para as diversas áreas do conhecimento. Toda e qualquer atividade gera documentos e existem cada vez mais papéis, mais acervos e documentos para uma quantidade ainda pequena de profissionais”, enfatiza Anna Carla.

É esse o caso do estudante do quinto período da Unirio, Marcelo Kosawa, de 20. Para ele, a profissão é um complemento para sua graduação em história.

“Adoro história e estou me dando muito bem com as disciplinas de arquivologia. Pretendo trabalhar com arquivos históricos e dar continuidade à vida acadêmica. Acho que as oportunidades estão cada vez maiores para quem tem bons conhecimentos na área em que procura”, afirma.

Formação em gestão de documentos e arquivos

A Unirio, que foi a pioneira em arquivologia, quando o curso ainda era oferecido no Arquivo Nacional, comemorou 100 anos da profissão no dia 9 de dezembro. Uma das conquistas da universidade será a formação de uma escola de mestrado em gestão de documentos e arquivos, a primeira do Brasil.

O projeto está a poucos passos de conseguir total aprovação da Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Caps). A Unirio já formou um total de 1.425 alunos.

O estudante do quarto período da Unirio e estagiário da Firjan, Tiago de Araújo Cardoso, de 23 anos já é um dos candidatos ao curso de mestrado.

“Gosto de estudar gestão documental e tenho afinidade com boa parte das disciplinas. Mas independente da especialidade que pretendo seguir, acho que a teoria como um todo tem que estar na ponta da língua de um bom arquivista”, enfatizaTiago.

Apesar se antiga, a profissão ainda não possui um Conselho Profissional. O Sinarquivo, criado há pouco tempo é o órgão que regulamenta as atividades exercidas em concurso, além denunciar possíveis irregularidades nos editais, para cumprir os direitos da categoria.

Fonte:
O FLUMINENSE

Por: Luana Souza 11/12/2011

http://jornal.ofluminense.com.br/editorias/empregos-e-negocios/cresce-demanda-por-cursos-de-arquivologia

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